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Exercícios sobre derivação

Esta lista de exercícios vai testar seus conhecimentos sobre derivação. A derivação pode ser classificada como prefixal, sufixal, parassintética, regressiva ou imprópria.

Questão 1

(Unimontes)

Ponto de vista
(Luis Fernando Verissimo)

Avolumam-se, com suspeito sincronismo, as denúncias na imprensa sobre a prática do nepotismo entre os políticos brasileiros. Como um dos atingidos pela nefasta campanha, que visa a denegrir a imagem do servidor público no Brasil, a mando de interesses inconfessáveis, me senti no dever de responder publicamente às insidiosas insinuações, na certeza de que assim fazendo estarei defendendo não apenas minha honra — apanágio maior de uma vida toda ela dedicada à causa pública e à tradição familiar que assimilei ainda no colo do meu saudoso pai, quando ele era prefeito nomeado da nossa querida Queijadinha do Norte e eu era o seu secretário particular, depois da escola — mas também a honra de toda uma classe tão injustamente vilipendiada, a não ser quando pertence a outro partido, porque aí é merecido. A imprensa brasileira, em vez de cumprir seu legítimo papel numa sociedade democrática, que é o de dar a previsão do tempo e o resultado da Loteria, insiste em perscrutar as ações dos políticos, como se estes fossem criminosos comuns, não qualificados, e em difamá-los com mentiras. Ou, em casos de extrema irresponsabilidade e crueldade, com verdades. Outro dia, depois de ler uma reportagem em que um órgão da nossa grande imprensa me fazia acusações especialmente levianas, virei-me para meu chefe de gabinete e comentei: “Querida, por que eles fazem isto comigo?”. Mas ela apenas resmungou alguma coisa, virou-se para o outro lado e continuou a dormir, obviamente perplexa. As hienas da imprensa não medem as consequências das suas infâmias. Tive que proibir aos meus filhos a leitura de jornais, para poupá-los. Como a função dos quatro no meu gabinete é unicamente a de ler jornais e eventualmente recortar algum cupom de desconto, o resultado é que passam o dia inteiro sem ter o que fazer e incomodando a avó, que serve o cafezinho. Não me surpreenderei se algum jornal publicar este fato como exemplo de ociosidade nos gabinetes governamentais à custa do contribuinte. O cinismo dessa gente é ilimitado.

Mas enganam-se as hienas se pensam que me intimidaram. Não viro a cara para meus acusadores, embora eles só mereçam desprezo, mas os enfrento com um olhar límpido como minha consciência e um leve sorriso no canto da boca. Minha vida como parlamentar é um livro-ponto aberto, imaculadamente branco. Como ministro, não tenho o que esconder. E, mesmo que tivesse, não haveria mais lugar nos bolsos. As acusações de nepotismo são tão fáceis de responder que até meu secretário de imprensa, o Gedeão, casado com a mana Das Mercês, e que é um bobalhão, poderia se encarregar disto. Mas eu mesmo o farei.

Não, não vou recorrer a subterfúgios e alegar que o nepotismo é antigo como o mundo, existe desde os tempos bíblicos e está mesmo nas origens do cristianismo. Quando Deus Todo-Poderoso, que era Deus Todo-Poderoso, quis mandar um salvador para a Terra, quem foi que escolheu? Um filho! Nem vou responder à infâmia com a razão, denunciando a hipocrisia. Vivemos numa sociedade que dá o mais alto valor à lealdade e aos sentimentos de família. Enaltecemos o bom filho, o bom pai, o bom marido — e o bom cunhado, como acaba de me lembrar o Gedeão, aqui do lado —, e, no entanto, esperamos que o político, abjetamente, deixe de dar um emprego para alguém do seu sangue e dê para o parente de outro, às vezes um completo estranho, cuja única credencial é ser competente ou ter passado num concurso. Também não vou usar o argumento do pragmatismo, perguntando o que é melhor para a nação, o governante ser obrigado a roubar para sustentar um bando de desocupados como a família da minha mulher ou transferir os encargos para os cofres públicos, com suas verbas dotadas, e regularizar a situação? Neste caso, o nepotismo é profundamente moralizante. Com a vantagem de estarmos proporcionando a um vagabundo treinamento no emprego. Meu menino mais velho, por exemplo, poderia ocupar a cadeira de ministro de Estado a qualquer instante, pois, como meu assessor, aprendeu tudo sobre o cargo, menos a combinação do cofre, que eu não sou louco.

Mas não vou dar aos meus difamadores a satisfação de reconhecer a pseudoirregularidade. No meu caso, ela simplesmente não existe. “Nepotismo” vem do italiano “nepote”, sobrinho, e se refere às vantagens usufruídas pelos sobrinhos do papa na Corte Papal, em Roma. Bastava ser sobrinho do papa para ter abertas todas as portas do poder, sem falar de bares e bordéis.

“Sobrinho” não era um grau de parentesco, era uma profissão e uma bênção. A corte eclesiástica era dominada pelos “nepotes”, e, neste caso, a corrupção era evidente. Qual o paralelo possível com o que acontece no Brasil hoje em dia? Só na fantasia de editores ressentidos, articulistas mal-intencionados e repórteres maldizentes as duas situações são comparáveis. Desafio qualquer órgão de imprensa a vasculhar meus escritórios, meus papéis, minha casa, meu staff, minha vida e encontrar um — um único! — sobrinho do papa entre meus colaboradores. Não há sequer um sobrenome polonês!

Exijo retratação.

O boné e outras crônicas, Ed. Ática.

Com base nas informações do próprio texto, pode-se afirmar que a palavra “Nepotismo” foi formada pelo processo de derivação

A) prefixal.

B) sufixal.

C) imprópria.

D) parassintética.

Questão 2

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

(  ) A derivação é um processo de formação de palavras que consiste na junção de um morfema derivacional ao radical de uma palavra primitiva.

(  ) Uma palavra resultante do processo de derivação tem um prefixo ou sufixo unido a um radical de termo já existente.

(  ) A derivação é um processo de formação de palavras que consiste na união de dois ou mais radicais já existentes.

A sequência correta é:

A) V, V, F.

B) V, V, V.

C) V, F, F.

D) F, F, V.

E) F, V, F.

Questão 3

(Unimontes)

Leia a definição abaixo de derivação parassintética, para responder à questão.

“Chama-se derivação parassintética aquela que consiste em formar vocábulos com o auxílio simultâneo de prefixo e sufixo [...].”

BECHARA, Evanildo — Moderna gramática portuguesa, 25. ed. p. 184.

Das seguintes palavras, a que contém prefixo e sufixo, mas NÃO se enquadra totalmente na definição acima é

A) verdadeiro.

B) mentiroso.

C) sobremesa.

D) incapacidade.

Questão 4

Os principais tipos de derivação são a derivação:

I- prefixal.

II- sufixal.

III- parassintética.

Está(ão) correta(s) a(s) opção(ões):

A) I apenas.

B) II apenas.

C) III apenas.

D) I e II apenas.

E) I, II e III.

Questão 5

(Unimontes)

Leia a seguinte informação sobre derivação parassintética, para responder à questão.

“Quando, na criação de uma palavra, se agregam simultaneamente um prefixo e um sufixo a um radical, de tal forma que a palavra não existe só com o prefixo ou só com o sufixo, o processo recebe o nome de derivação parassintética.”

PASCHOALIN & SPADOTO, 1989, p. 142.

Qual das palavras abaixo NÃO é uma derivada parassintética?

A) Esfriar.

B) Desinteressar.

C) Empobrecer.

D) Envergonhar.

Questão 6

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

(  ) A palavra “folhagem” é resultado do processo de derivação sufixal.

(  ) A palavra “bisavô” é resultado do processo de derivação sufixal.

(  ) A palavra “anticorpos” é resultado do processo de derivação sufixal.

A sequência correta é:

A) V, V, F.

B) V, V, V.

C) V, F, F.

D) F, F, V.

E) F, V, F.

Questão 7

(Unimontes)

Quando, na criação de uma palavra, agregam-se simultaneamente um prefixo e um sufixo a um radical, de tal forma que a palavra não existe só com o prefixo ou só com o sufixo, o processo recebe o nome de derivação parassintética.

Foi formada pelo processo de derivação parassintética a palavra

A) atapetar.

B) ideologia.

C) aprendizado.

D) inteligência.

Questão 8

Caju

Quero saber se você vai
Correr atrás de mim num aeroporto
Pedindo pr’eu ficar, pr’eu não voar
Pr’eu maneirar um pouco
Que vai pintar uma tela do meu corpo nu

[...]

Onde serão as férias? Qual o tamanho da demanda?
No samba, sei que samba e o que será que faz chorar?
Será que você sabe que no fundo eu tenho medo
De correr sozinha e nunca alcançar?

Eu me encho de esperança de algo novo que aconteça
Quem despetala a rosa estará lá pro que aconteça?
Nuns dias sou carente, completa, suficiente
Quero o amor correspondente pra testemunhar

Quando eu alçar o voo mais bonito da minha vida
Quem me chamará de amor, de gostosa, de querida?
Que vai me esperar em casa? Polir a joia rara?
Ser o pseudofruto, a pele do caju?

[...]

LINIKER; FEJUCA; RUIZ, Gustavo; BRANCO, Iuri Rio. Caju. In: LINIKER. Caju. São Paulo: Estúdio Brocal, 2024.

No trecho da letra de música da cantora Liniker, é possível apontar palavra resultante do processo de derivação prefixal nos versos:

A) 1 e 4.

B) 6 e 10.

C) 11 e 17.

D) 12 e 15.

E) 5 e 13.

Questão 9

Analise as seguintes afirmações:

I- O termo “jornalista” apresenta sufixo nominal.

II- O termo “finalizar” apresenta sufixo adverbial.

III- O termo “felizmente” apresenta sufixo verbal.

Está correto o que se afirma em:

A) I apenas.

B) II apenas.

C) III apenas.

D) I e II apenas.

E) I, II e III.

Questão 10

Todas as alternativas abaixo apresentam APENAS palavras resultantes do processo de derivação regressiva, EXCETO:

A) Caça, combate, compra.

B) Pesca, debate, busca.

C) Canto, choro, revisto.

D) Consumo, luta, ensino.

Questão 11

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

(  ) A frase “Conhecia o privilégio de amar” possui palavra originada do processo de derivação imprópria.

(  ) A frase “Sabia que o amar é um privilégio” possui palavra originada do processo de derivação imprópria.

(  ) A frase “Sabia que é um privilégio a sensação de amar” possui palavra originada do processo de derivação imprópria.

A sequência correta é:

A) V, V, F.

B) V, V, V.

C) V, F, F.

D) F, F, V.

E) F, V, F.

Questão 12

Vai-te!

Entre tu, — que és tão sensível,
E eu, que te adoro tanto,
Colocou a sorte — o pranto,
Marcou Deus, — o impossível!

Ouviste! Deus! não intentes
Frustrar os decretos seus!
Sufoca as dores que sentes,
Esquece os transportes meus.

Vai longe, longe olvidar
Nossos protestos de amor!
Vai teu fado obedecer;
Vai... não voltes... trovador.

Sofre, embora, cruas dores,
Sinta eu lenta agonia;
Embora mil dissabores
Me envenene a noite, e o dia,

Vai-te! Vai-te... Deus nos diz:
Impossível! Oh! Que dor!...
Vai-te... deixa-me, infeliz,
Vai-te! Vai-te, oh trovador.

REIS, Maria Firmina dos. Cantos à beira-mar.
Disponível em: https://literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=117651.

No poema da escritora brasileira Maria Firmina dos Reis, é possível apontar palavra resultante do processo de derivação nos versos:

A) 1, 2, 3 e 4.

B) 5, 13, 16 e 17

C) 1, 5, 16 e 17

D) 4, 12, 15 e 19.

E) 3, 6, 14 e 15.

Respostas

Resposta Questão 1

Alternativa B.

Segundo o texto, a origem da palavra “nepotismo” é o termo italiano “nepote”. Portanto ela é formada por derivação sufixal, já que apresenta o sufixo “-ismo”.

Resposta Questão 2

Alternativa A.

A derivação é um processo de formação de palavras que consiste na junção de um morfema derivacional (prefixo ou sufixo) ao radical de uma palavra primitiva. Já a composição é um processo de formação de palavras que consiste na união de dois ou mais radicais já existentes.

Resposta Questão 3

Alternativa D.

Para ser resultado de derivação parassintética, o radical da palavra precisa receber, ao mesmo tempo, prefixo e sufixo. Por exemplo, “anoitecer” é formada de “a-” + “noite” + “-ecer”. De forma que não é possível dizer: “anoite” ou “noitecer”. Já a palavra “incapacidade” é formada por “in-” + “capaz” + “-idade”. No entanto, posso dizer “incapaz” e “capacidade”. Isso mostra que o prefixo “in-” e o sufixo “-idade” não foram adicionados ao mesmo tempo. Afinal, a palavra “incapacidade” poderia ter sido criada quando já existia a palavra “capacidade”, por exemplo.

Resposta Questão 4

Alternativa E.

A derivação prefixal ocorre quando um prefixo é colocado antes do radical de uma palavra. A sufixal quando um sufixo é colocado após o radical de uma palavra. Por fim, a derivação parassintética consiste em colocar, ao mesmo tempo, um prefixo e um sufixo, respectivamente, antes e depois do radical de uma palavra.

Resposta Questão 5

Alternativa B.

Para ser resultado de derivação parassintética, o radical da palavra precisa receber, ao mesmo tempo, prefixo e sufixo. Por exemplo, “empobrecer” é formada de “em-” + “pobre” + “-ecer”. De forma que não é possível dizer: “empobre” ou “pobrecer”. Já a palavra “desinteressar” é formada por “des-” + “interesse” + “-ar”. No entanto, posso dizer “desinteresse” e “interessar”. Isso mostra que o prefixo “des-” e o sufixo “-ar” não foram adicionados ao mesmo tempo. Afinal, a palavra “desinteressar” poderia ter sido criada quando já existia a palavra “interessar”, por exemplo.

Resposta Questão 6

Alternativa C.

A palavra “folhagem” é formada pela união do termo “folha” com o sufixo “-agem”. Já a palavra “bisavô” é resultado da união do prefixo “bis-” e o termo “avô”. Por fim, a palavra “anticorpos” é formada pela união do prefixo “anti-” e o termo “corpos”.

Resposta Questão 7

Alternativa A.

A palavra “atapetar” é formada por “a-” + “tapet-” + “-ar”. A palavra “ideologia” é formada por “ideo-” + “-logia”. Já a palavra “aprendizado” é formada por “aprend-” + “-ado”. Por fim, a palavra “inteligência” é formada por “intelig-” + “-ência”. Portanto, todas são formadas por derivação sufixal, com exceção de “atapetar”.

Resposta Questão 8

Alternativa C.

A palavra “despetala” é formada pelo prefixo “des-” mais a palavra “pétala”. Já “pseudofruto” é formada pelo prefixo “pseudo-” mais a palavra fruto.

Resposta Questão 9

Alternativa A.

O termo “jornalista” apresenta sufixo nominal “-ista”. O termo “finalizar” apresenta sufixo verbal “-izar”. Por fim, o termo “felizmente” apresenta sufixo adverbial “-mente”.

Resposta Questão 10

Alternativa C.

“Caça” (redução de “caçar”), “combate” (redução de “combater”), “compra” (redução de “comprar”), “pesca” (redução de “pescar”), “debate” (redução de “debater”), “busca” (redução de “buscar”), “canto” (redução de “cantar”), “choro” (redução de “chorar”), “consumo” (redução de “consumir”), “luta” (redução de “lutar”) e “ensino” (redução de “ensinar”). Já “revisto” é particípio do verbo “rever” e não uma redução.

Resposta Questão 11

Alternativa E.

Na frase “Sabia que o amar é um privilégio”, o verbo “amar” é usado como “substantivo”. Essa mudança na classe gramatical da palavra é o que caracteriza a derivação imprópria.

Resposta Questão 12

Alternativa D.

A palavra “impossível” é formada pelo prefixo “im-” mais o termo “possível”. A palavra “infeliz’ é formada pelo prefixo “in-” mais o termo “feliz”. A palavra “dissabores” é formada pelo prefixo “dis-” mais o termo “sabores”. Por fim, a palavra “trovador” é formada pelo termo “trova” mais o sufixo “-dor”.


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